Disseram-me que,
quando se ama,
percebe-se que a estilística
é como uma borboleta:
antes lagarta num casulo.
E eu apavorada
achando que isso fosse um absurdo,
regressão numa evolução constante de gritos sociais,
bobagem pura.
Ao mesmo tempo em que eu divagava,
eu não amava,
logo meus versos continuavam ácidos,
achando que corroíam meu coração.
Eu não digo que fui atacada por sentimento avassalador:
para cada sim, existe um não.
É diferente, é uma disritmia intempestiva
que faz com que poeta e poesia confundam-se.
Não é lâmina afiada,
não é paixão desenfreada,
só pode ser amor.
E, para minha surpresa,
coexiste com a sensatez!
É qual renda delicada
rodeada por violetinhas lilases.
E também é consciência
de toda uma vida
e toda outra vida;
agora um só viver.